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Custo da prevenção do HIV será 3 vezes maior quando a epidemia completar 50 anos de existência, alertam especialistas
 
04/11/2009 - 18h

Quando a epidemia da Sida completar meio século de existência, em 2031, a despesa em tratamentos nos países em vias de desenvolvimento será de cerca de 35 bilhões de dólares norte-americanos, o triplo do custo actual, indicaram nesta semana especialistas no assunto.

O economista Robert Hecht e uma equipa de pesquisadores publicaram os estudos sobre saúde e economia elaborados em 14 países em desenvolvimento, na última edição da revista Health Affairs, produzida pela fundação People-to-People Health.

"Encaramos uma crise enorme", disse Hecht, director do Instituto Resultados para o Desenvolvimento, com sede em Washington. "Mas temos uma oportunidade e uma obrigação de mitigar esta crise tomando agora as decisões sobre política pública difíceis mas necessárias", acrescentou.

Os pesquisadores sustentam que mediante investimentos em esforços de prevenção e tratamentos eficientes, os Governos poderiam cortar em mais da metade o custo de combater a pandemia.

"Para o ano 2031 os fundos necessários para o tratamento da Sida nos países em desenvolvimento poderia chegar à US$ 35 bilhões anuais, três vezes mais que o nível actual", assinala o artigo.

"E mesmo assim a cada ano haverá mais de um milhão de pessoas infectadas", acrescentou. "Actualmente há no mundo cerca 33 milhões de pessoas infectadas pelo HIV."

Se não há mudanças nas campanhas de prevenção na África "haverá mais de 10 milhões de pessoas sob tratamento em 2031, comparado com os 4 milhões agora", segundo estes estudos.

Outro artigo na mesma publicação insta aos Governos e às autoridades sanitárias que passem de uma "resposta de emergência" a programas mais estruturados e de longo prazo para fazer frente à epidemia de Sida.

"A resposta de emergência é adequada para um terremoto, mas é um esbanjamento ineficaz para uma epidemia que está conosco por mais de 25 anos", escreveu Stefano Bertozz, director de HIV na Fundação Bill e Melinda Gates.

O que se necessita, acrescentou Bertozzi, são programas de prevenção que realizem intervenções de longo prazo "desenhadas para a mudança das causas sociais fundamentais da transmissão" do HIV.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, enfatizou que deve incrementar-se o financiamento global "para uma forte agenda de pesquisa que inclua desde vacinas a novas modalidades de prevenção".

Em sua opinião, as contribuições dos países ricos e de renda média "até agora foram limitadas".

Entre os novos enfoques e tecnologias que recomenda o artigo de Hetch está a circuncisão que, segundo o especialista, "demonstrou ser uma medida eficaz de prevenção" do contágio contra o vírus HIV.

Segundo Hecht, "o impacto do uso de preservativo e os compostos microbicidas é modesto, limitado" na prevenção da infecção, mas mesmo assim ambos métodos profiláticos são recomendáveis.

Fonte: EFE
 
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