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HIV/SIDA: A intensificação da prevenção e da testagem como apostas
 
Por Armando Emílio Guebuza
Os dados da seroprevalência nacional que o Senhor Ministro de Saúde acaba de divulgar, dão-nos a indicação geral da forma como o vírus do SIDA se comporta em diferentes espaços geográficos da nossa Pátria Armada.

Ao mesmo tempo, ficamos com indicações das transformações que se estão a operar em resultado do trabalho que temos vindo a realizar, particularmente neste quinquénio prestes a terminar.

Todavia, 15 por cento não é ainda onde queremos chegar, mas surge como uma indicação encorajadora de que estamos a começar a encontrar o caminho para onde queremos ir.

Por isso, a prevenção continua a nossa grande aposta. Como se demonstrou nos debates no quadro da Iniciativa Presidencial sobre esta doença, em Fevereiro de 2006,  a prevenção encerra muitas complexidades e pressupõe que aceitemos que seja o receptor da mensagem de prevenção quem deve determinar o seu conteúdo e os mecanismos para a sua transmissão. Foi assim que nesse diálogo, franco e aberto, com representantes de diferentes segmentos da nossa sociedade chegamos a consenso sobre o grande desafio que se colocava à nossa frente: o desafio de uma maior moçambicanização da mensagem de luta contra este flagelo.

Compatriotas, apesar de várias acções levadas a cabo na área de comunicação, estudos recentes levados a cabo no nosso País demonstram que ainda há muitos moçambicanos que não conhecem os aspectos importantes do HIV/SIDA. Por exemplo, há compatriotas nossos que não sabem o que é o HIV/SIDA, como se transmite e como se pode prevenir esta doença. Neste contexto, e neste dia, queremos reiterar a necessidade de intensificação e de massificação da informação, educação e comunicação para melhorarmos o nível de conhecimento de todos nós em relação a esta pandemia.

Para além disso, temos muitos irmãos e irmãs que não conhecem o seu estado serológico, isto é, não sabem se estão ou não infectados. Por isso, muitos deles chegam graves nas unidades sanitárias, sem saberem que afinal padecem do SIDA e uma das razões que se pode apontar prende-se com o facto de nunca terem feito o teste.

Se fizeres o teste, caro compatriota, e o resultado for negativo, deves continuar com o comportamento de menor risco e seres um activista entre aqueles que te rodeiam para que se reduzam as possibilidades de infecção. Se, por outro lado, o resultado for positivo não te desesperes. Deves encarar esta doença como uma outra doença crónica. Depois, deves ir à unidade sanitária, o mais cedo possível, para beneficiares do tratamento com o anti-retrovirais e dos conselhos do pessoal de saúde. São conselhos que serão complementados por aqueles que lhe serão dados pelos activistas que também fazem o seu melhor para minorar o sofrimento dos infectados e dos afectados por essa doença. Paralelamente, lute pela melhoria da tua saúde e da qualidade da tua vida, trabalhando, pois deves-te sentir tão útil a ti próprio como à sociedade, como qualquer outro moçambicano e dar a tua valiosa contribuição para o desenvolvimento deste nosso belo Moçambique.

Exortamos às instituições especializadas a intensificarem e a participarem nas actividades de aconselhamento e testagem de saúde, incluindo de HIV.

Apelamos aos nossos compatriotas a aderirem a estes programas, pois foram concebidos para o seu bem. O nosso empenho deve continuar para que mais compatriotas nossos tenham os serviços de aconselhamento e testagem mais perto das suas residências.

Minhas senhoras e meus senhores, neste primeiro de Dezembro queremos saudar a todos os intervenientes na resposta contra essa pandemia. Saudamos, em particular, aqueles que se posicionam na frente da mobilização e da provisão dos serviços primários que permitem que, de forma gradual, estendamos e consolidemos o sentido e os propósitos das nossas acções para a contínua mudança de comportamento e de atitude dos nossos compatriotas perante essa pandemia.

Uma saudação especial vai para os nossos irmãos e irmãs que vivem positivamente com o vírus do SIDA e que emprestam o seu activismo para que cada vez menos moçambicanos sejam infectados. Saudamos, no mesmo contexto, as suas famílias que servem de exemplo a outras famílias moçambicanas pelo carinho, amor e apoio que dispensam a estes seus familiares para que continuem a desfrutar da felicidade e a sentir que vale a pena viver.

A experiência demonstra, minhas senhoras e meus senhores, que o HIV/SIDA coloca-nos a todos um desafio enorme que começa na nossa consciência individual e termina na cadeia de valores e normas de vida em sociedade.

Falar abertamente deste problema no seio do lar, explicar de forma desinibida a sua manifestação e abordar o comportamento necessário para evitar a infecção é muito salutar.

Para nós essa atitude constitui um ponto de partida para, gradualmente, irmos confrontando e combatendo a discriminação e a estigmatização que, felizmente, têm conhecido redução significativa.

Continuemos a prestar assistência às crianças, órfãs de pais vítimas do SIDA, de outras doenças, infortúnios, porque elas precisam de cada um de nós para absorverem o sentido de pertença comunitária, os valores que as tornarão homens ou mulheres do amanhã. Continuemos igualmente a reforçar a vigilância e a protecção social de menores no nosso seio. As crianças são o nosso futuro e, por isso, a sua educação e os valores que lhes informarem na vida adulta serão o espelho da semente que nelas tivermos plantado.

Minhas senhoras e meus senhores, está em curso a elaboração do Plano Estratégico Nacional de Resposta ao HIV/SIDA 2010-2014. Trata-se de um documento do Governo que aborda as políticas e estratégias para o combate a esta epidemia e que prioriza o reforço a prevenção em todas as suas vertentes. No mesmo quadro, este plano procura ser enfático nas acções direccionadas à família, à mulher, à criança, ao adolescente e ao jovem. Dá igualmente destaque às acções de combate contra o estigma e a marginalização para que todos possamos caminhar seguros e confiantes nesta batalha.

Neste Dia Mundial de luta contra o SIDA, reiteremos o nosso compromisso colectivo de contribuir para travar novas infecções. Reiteremos igualmente a nossa determinação de assegurar que os que já estão infectados tenham acesso à informação, cuidados de saúde e tratamento para uma melhor saúde, em defesa da vida.

Muito obrigada pela vossa atenção.
 
Discurso feito, em Maputo, no Dia Mundial de Combate à Sida.
 
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Luiz Souza 2010-03-23 13:01:20
"Muito bem escrito a mensagem, sr Armando.
Estou tentando saber se existe algum organismo ou agencia que fornece remedios para pessoas sem recursos. Tenho uma amiga que ha 2 anos esta com o virus e nunca tomou remedio."
Luiz Souza 2010-03-23 13:01:15
"Muito bem escrito a mensagem, sr Armando.
Estou tentando saber se existe algum organismo ou agencia que fornece remedios para pessoas sem recursos. Tenho uma amiga que ha 2 anos esta com o virus e nunca tomou remedio."


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