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Eu sou Linda Chongo, representante da sociedade civil no próximo Plano Estratégico Nacional de Combate ao HIV e Sida (PEN III) e coordenadora da NAIMA (Rede de organização internacionais que actuam na área da saúde e da Sida em Moçambique).
As vésperas do 1º de Dezembro, o Dia Mundial de Combate à Sida, e há pouco mais de um mês do início de 2010, quando entrará em vigor o novo plano do Governo para responder nacionalmente à epidemia, gostaria de escrever aqui neste artigo quais são alguns dos anseios da sociedade civil.
Primeiramente, esperamos que o Governo tenha, no PEN III, um maior papel de coordenação da resposta, ou seja, que construa um melhor diálogo entre os Núcleos Provinciais e Distritais de combate à Sida e seus parceiros da sociedade civil, pois apenas tendo uma visão holística de quem está a fazer o quê e aonde, permitirá a percepção da realidade.
As organizações da sociedade de civil, especialmente as baseadas na comunidade, precisam ter acesso aos fundos para a implementação dos seus projectos, mas que estas, por sua vez, façam uma prestação de contas sobre o uso do mesmo, o que depende também de uma capacitação técnica dos seus membros.
A integração e a expansão dos serviços de saúde, sempre muito ressaltadas pelo Governo, é importante, mas é preciso que estes cumpram com os requisitos de qualidade exigidos sob o risco de haver um número elevado de abandonos no tratamento, por exemplo.
Ao mesmo tempo, o Governo não pode esquecer da prevenção do HIV, já que é crucial em nosso país que se reduza o número de novas infecções, e para isso, somos todos nós chamados a dar o nosso contributo.
A população deve procurar saber sobre o seu estado serológico!
E é esse assunto que eu gostaria de destacar também nesse artigo, pois novamente o Governo usará como tema no Dia Mundial de Combate à Sida o aconselhamento e testagem para o HIV.
Ao meu ver, é extremamente importante a promoção da testagem, mas esta dever ser de forma consciente para se poder dar vazão à necessidade de tratamento que daí advier, pois para mim não faz sentido dizer a alguém “você tem fome e eu não tenho absolutamente nada para te oferecer.”
Temos que ter cuidado com a forma como promovemos os nossos serviços, antes de faze-la. Temos que ter a certeza de que as condições estão criadas para responder.
A reflexão sobre a luta contra o HIV e Sida, ao meu ver, deve ser constante, diária. Os seronegativos devem lutar para manter-se neste estado e as pessoas vivendo com o HIV devem lutar para que o seu estado de saúde não se degrade.
Linda Chongo é Coordenadora da Naima e representante da sociedade civil no PEN III
E-mail: naima@tvcabo.co.mz