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Vacina HIV – um bem público para corrigir um erro global
 
Por Michel Sidibé
A promessa de uma vacina contra o HIV está um passo mais próxima. Resultados do maior ensaio de vacina jamais conduzido mostram uma modesta, porém encorajadora eficácia de 31 por cento na prevenção de novas infecções pelo vírus na Tailândia.

Isso tem mantido milhares de cientistas e voluntários com esperanças de que uma vacina anti HIV efectiva e segura seja possível. Essa notícia chega numa hora em que o movimento para alcançar o acesso universal à prevenção e assistência está a ganhar força.

Actualmente mais de quatro milhões de pessoas vivendo com HIV estão a receber Tratamento Antiretroviral (TARV) e um número menor de bebés estão a nascer com o vírus.

Menos da metade das pessoas que necessitam de TARV tem acesso a ele, e a cada dia o número de pessoas que se infectam com o HIV é superior aos que iniciam o tratamento, estamos a hipotecar nosso futuro. Mas estamos também a expor uma fundamental injustiça social – entre os privilegiados e os desamparados – uma divisória que podemos eliminar.

Entretanto, ainda não dispomos de uma vacina acessível, mas vamos nos preparar hoje para o amanhã. Vamos aprender com as lições que a resposta a Sida tem nos proporcionado até então.

O primeiro desafio é o acesso e a disponibilidade de recursos. O TARV está disponível desde 1996, mas o real acesso ao mesmo começou apenas quando houve pressão pública aos líderes mundiais e os preços dos medicamentos começaram a cair. Hoje em dia, activistas na luta contra a Sida repetem esses esforços para reduzirem os preços, desta vez, para os antiretrovirais de segunda linha.

É inaceitável que 98 por cento das mulheres grávidas em países desenvolvidos podem acessar o tratamento profiláctico ao HIV para evitar a transmissão do vírus aos seus bebés, quando apenas pouco mais de 33 por cento das gestantes em países em desenvolvimento podem fazê-lo.

A notícia coincide com a Assembleia Geral das Nações Unidas realizada recentemente, quando o Secretário Geral nos lembrou “nosso compromisso com a equidade” e onde eu apelei para vários Chefes de Estado comprometidos com a promoção da equidade que insiram em suas agendas a equidade na resposta à pandemia. Não podemos permitir que os custos impeçam as pessoas de terem acesso a uma vacina.

O segundo desafio é criar as condições adequadas para uma aceitação massiva de uma vacina. Uma vez mais, mulheres e meninas não são capazes de tomar suas próprias decisões sobre sua saúde e educação.

Muitos homens e mulheres não buscam a testagem de HIV por medo do estigma e da discriminação. Pessoas sem vozes – profissionais do sexo e seus clientes, usuários de drogas injectáveis e homens que fazem sexo com homens – são constantemente excluídos dos programas de saúde e de bem-estar social. Esperamos que a sociedade civil continue a quebrar as barreiras que dificultam a aceitação de uma vacina.

O terceiro desafio está na criação de sistemas de saúde capazes de fornecer a vacina. Actualmente, as clínicas estão orientadas à imunização de bebés e crianças. Os maiores benefícios de uma vacina contra o HIV da Sida serão obtidos, provavelmente, vacinando os jovens e as pessoas mais expostas ao vírus do actual estudo de coorte.

Se fracassarmos em fazer chegar a vacina aos adolescentes representará outro fracasso que é o de acabar com a coluna vertebral da epidemia. Não há tempo para complacência nos nossos esforços para deter as novas infecções pelo HIV.

O mundo precisa de uma forte campanha de prevenção deste vírus que esteja embasada em dados e fincada nos direitos humanos. É chegada a hora de acabar com a discriminação, as más leis e as normas sociais perniciosas que alimentam a transmissão do HIV.

Durante as próximas semanas, cientistas e líderes mundiais devem se consciencializar sobre esses desafios e compreender as implicações dos resultados do estudo tailandês.

Ainda faltam anos, ou décadas para uma vacina “pronta para o uso”, porém, quando estiver disponível, deverá ser financiada como um bem público e que esteja acessível para todos. De que outra maneira podemos pôr um fim a essa epidemia?

Michel Sidibé é Director Executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Sida (ONUSIDA).
 
“Ainda faltam anos, ou décadas para uma vacina ‘pronta para o uso’, porém, quando estiver disponível, deverá ser financiada como um bem público e que esteja acessível para todos.”
 
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Luiz Souza 2010-03-23 12:55:43
"Bonita mensage/
Sr. Michel,
Existe algum orgao que oferece remedio gratis para pessoas pobres?
Obrigado pela informacao."


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